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Raízen oferece até R$ 5 bi a credores, mas rejeita perder controle do conselho


(Bloomberg) — A Raízen SA (RAIZ4) enviou uma proposta alternativa aos credores enquanto tenta acertar os termos de uma reestruturação de dívida de R$ 65 bilhões (US$ 13 bilhões), segundo pessoas a par do assunto.

Na proposta apresentada na noite de sábado, a Raízen informou aos credores que está em conversas para levantar entre R$ 2,5 bilhões e R$ 5 bilhões em novo capital, disseram as fontes. Embora esse novo detalhe deva agradar os detentores da dívida, que haviam proposto que os atuais acionistas injetassem R$ 8 bilhões, a companhia rejeitou outras mudanças pedidas pelos credores, incluindo abrir mão do controle do conselho de administração.

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O capital incluído na nova proposta da Raízen seria adicional aos R$ 4 bilhões em recursos que a Shell Plc e o bilionário Rubens Ometto já se comprometeram a aportar na companhia de bioenergia, disseram as pessoas, que pediram anonimato por se tratar de negociações privadas. Não ficou claro de onde virá o novo dinheiro. A Cosan SA, conglomerado fundado por Ometto e que divide o controle da Raízen com a Shell, não está injetando capital na empresa em dificuldade.

A Raízen está resistindo às demandas dos credores de que os acionistas abram mão da maioria das cadeiras no conselho ou de que executivos sejam responsabilizados por eventuais passivos que possam surgir no futuro, disseram as pessoas. A empresa, no entanto, aceitou um pedido para criar um comitê de credores para acompanhar mais de perto a governança, disse uma delas.

Ometto ainda quer permanecer como presidente do conselho da Raízen, embora a companhia saiba que isso será um ponto de tensão com os detentores da dívida, segundo fontes. Bancos credores e detentores de bônus pediram em suas propostas, separadamente, a saída de Ometto, conforme a Bloomberg noticiou anteriormente.

Raízen, Cosan e Ometto não quiseram comentar. A Shell não respondeu a um pedido de comentário feito fora do horário comercial.

A empresa reiterou sua proposta para que os credores recebam uma participação de 70% em uma eventual conversão de dívida em ações, disseram as pessoas. A nova oferta da companhia não inclui a sugestão dos bancos credores de que 30% dos recursos obtidos com a venda de ativos na Argentina sejam usados para amortizar dívida, disse uma delas.

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A Raízen vem negociando com credores para chegar a um acordo e evitar ter que pedir recuperação judicial desde que entrou com pedido de recuperação extrajudicial em março. As partes enfrentam um prazo legal até 6 de junho para fechar um acordo extrajudicial com apoio suficiente de detentores de títulos e bancos credores.

Antes líder em biocombustíveis no Brasil, a Raízen foi afetada por juros elevados, pesados investimentos que ainda não geraram retorno e desafios operacionais nas divisões de açúcar e etanol, o que levou a uma sequência de resultados frustrados. Os problemas corroeram o fluxo de caixa e fizeram a alavancagem disparar. Com a demora nas negociações entre acionistas para um resgate, os bônus da empresa afundaram para território de estresse. Quando contratou assessores para otimizar a estrutura de capital, as agências de rating rebaixaram a nota de grau de investimento para níveis profundos de especulação (junk), ampliando ainda mais a liquidação dos papéis.

© 2026 Bloomberg L.P.

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