Novo varejo: da transação à experiência
O varejo físico está de volta ao centro das estratégias, mas não como antes. Em um cenário dominado pelo crescimento acelerado do e-commerce, lojas físicas passam por uma transformação significativa e deixam de ser apenas pontos de venda para se consolidarem como espaços de experiência, relacionamento e construção de marca.

Enquanto grandes players investem em tecnologia e presença digital, um movimento inverso ganha força ao apostar no ambiente físico como diferencial competitivo. A lógica agora é clara: oferecer ao consumidor algo que não pode ser replicado online conexão humana, atendimento personalizado e vivência sensorial.
A origem da marca e o propósito
É nesse contexto que surge a trajetória da Casa Primp, fundada em 2018 por Priscila Khouri. Apaixonada por moda, a empresária transformou uma necessidade pessoal em um negócio com identidade forte e propósito bem definido: vestir mulheres com elegância, praticidade e conforto ao longo de uma rotina dinâmica.

O que começou como uma curadoria de peças selecionadas evoluiu para um modelo autoral. Ao longo dos últimos anos, a marca consolidou sua transformação em uma grife feminina premium, estruturada em coleção própria, verticalização criativa e forte presença no varejo físico.
Crescimento sustentado por estratégia e posicionamento
Hoje, a empresa projeta crescimento entre 25% e 35% no próximo ciclo, sustentada por uma estratégia que integra experiência de compra e posicionamento de marca.

“Eu acreditei na loja física porque precisamos oferecer algo que não pode ser replicado online: o olho no olho, a ajuda na escolha das peças e o relacionamento”, afirma Priscila Khouri, fundadora e diretora criativa da marca.
Verticalização criativa como vantagem competitiva
Voltada ao público premium, a Primp tem na coleção autoral seu principal ativo estratégico. O desenvolvimento interno permite maior controle sobre precificação, diferenciação frente à concorrência multimarcas e construção de uma identidade sólida, reduzindo a comparação direta por preço.
“Quando você desenvolve sua própria coleção, deixa de ser apenas ponto de venda e passa a ser marca. Isso muda margem, posicionamento e percepção de valor.”
Há cinco anos operando com produção própria, a empresa mantém a diretora criativa diretamente envolvida no desenvolvimento das peças fator que fortalece autenticidade e conexão com o público.
Expansão para o lifestyle: a força da linha Home
Além da moda, a marca expandiu sua atuação para o segmento de decoração e utilidades, com a criação da linha Home. Mais do que diversificação, a estratégia tem como objetivo aumentar o ticket médio e reforçar o conceito de lifestyle sofisticado.
Entre os produtos, destacam-se peças com curadoria refinada, como itens em mármore com detalhes dourados, porcelanas exclusivas e xícaras importadas da Turquia.
“Estamos fazendo no Home o que fizemos na moda: oferecer produtos que não são fáceis de encontrar, com sofisticação e custo-benefício”, explica a empresária.
Experiência em loja: mais do que vender, encantar
Um dos movimentos mais estratégicos da marca foi a criação de um café integrado à loja, inspirado no estilo parisiense. Mais do que um serviço adicional, o espaço funciona como ferramenta de relacionamento e experiência.
“A cliente não entra só para comprar. Ela entra para viver a marca.”
O ambiente contribui diretamente para o aumento do tempo de permanência, melhora das taxas de conversão e fortalecimento do vínculo emocional com a cliente. Diante dos resultados positivos, o modelo será replicado nas próximas unidades como padrão operacional.
Integração entre físico e digital como estratégia de crescimento
Apesar do foco na experiência presencial, a estratégia da empresa também contempla o ambiente digital. O plano inclui investimentos robustos em e-commerce e estrutura online, com o objetivo de ampliar alcance, escala e relacionamento.
Para Priscila, no entanto, o diferencial está na combinação entre tecnologia e humanização:
“Não é sobre vender mais produtos. É sobre construir relações, aumentar a percepção de valor e criar desejo contínuo.”