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E se o elenco do BBB26 fosse do corporativo?

Reality show escancara perfis comuns nas empresas e levanta alerta sobre liderança, cultura e saúde emocional

O Big Brother Brasil sempre foi visto como entretenimento, mas, para quem observa comportamento humano, o programa também funciona como um retrato fiel das dinâmicas que acontecem dentro das empresas. Conflitos, alianças, disputas de poder e estilos de liderança aparecem ali de forma amplificada, mas não muito diferente do que se vê no ambiente corporativo.

Para a psicóloga Zora Viana, fundadora da Faculdade FEX Educação, o paralelo é inevitável. “O BBB é um laboratório de comportamento humano a céu aberto. Quando a gente observa com olhar técnico, fica muito claro como padrões emocionais e relacionais se repetem dentro das organizações”, afirma.

Entre os perfis que mais chamam atenção está o da líder que entrega resultados, mas deixa um rastro de desgaste. Representado no reality por Ana Paula Renault, esse tipo de profissional é direto, não evita confronto e cobra desempenho sem rodeios. No escritório, costuma ocupar cargos de liderança e bater metas, mas também gerar medo e distanciamento na equipe. “Resultado sem construção de vínculo não sustenta liderança no longo prazo. A empresa pode até crescer, mas o time adoece”, explica Zora.

Outro personagem facilmente reconhecível é o workaholic, perfil que lembra o desempenho extremo de Jonas Sulzbach nas provas. No mundo corporativo, ele é o profissional que trabalha além do limite, responde mensagens fora do horário e espera o mesmo ritmo dos colegas. Embora seja visto como produtivo, esse comportamento pode contaminar o ambiente. “Existe uma romantização do excesso de trabalho, mas isso é um risco. O líder que não respeita limites tende a gerar burnout coletivo”, alerta a especialista.

Também há espaço para o perfil sem filtro, como o de Milena, que confunde autenticidade com falta de respeito. Esse tipo de comportamento, comum em algumas equipes, costuma gerar desconforto e desgaste nas relações. “Inteligência emocional não é sobre se calar, mas sobre saber como e quando se posicionar. Sem isso, o ambiente se torna inseguro”, diz Zora Viana.

Na outra ponta está o líder que evita conflitos, representado por Alberto Cowboy. Ele tenta agradar a todos, adia decisões difíceis e acaba comprometendo a gestão. “Evitar conflito não resolve o problema, só adia. Liderança exige posicionamento, mesmo quando isso desagrada”, afirma a psicóloga.

Perfis mais silenciosos também aparecem com frequência nas empresas. A profissional competente, mas invisível, como Jordana, entrega resultados, mas não se posiciona estrategicamente e perde espaço. Já a figura que transita entre todos sem se comprometer, como Samira, pode até sobreviver no jogo corporativo, mas dificilmente constrói confiança. “Não se posicionar pode parecer seguro no curto prazo, mas enfraquece a credibilidade”, explica Zora.

Outro ponto destacado é o papel das novas gerações, representadas por Juliano, jovem que constrói alianças estratégicas sem abrir mão da própria identidade. No ambiente corporativo, esse perfil costuma aprender rápido, mas pode ser mal interpretado pela equipe. “As novas gerações têm uma capacidade maior de adaptação e leitura de cenário, mas ainda enfrentam resistência cultural dentro das empresas”, analisa.

Por fim, há aqueles que ficam à margem, como Marciele, profissionais que executam bem suas funções, mas não conseguem se inserir em projetos estratégicos por falta de visibilidade ou networking interno. “Competência técnica sozinha não garante crescimento. É preciso desenvolver presença e العلاقات dentro da organização”, completa.

Para Zora Viana, o maior aprendizado está além dos perfis individuais. “Liderança não é um talento inato, é uma competência que se desenvolve. Quando a empresa ignora isso, abre espaço para cultura tóxica, alta rotatividade e prejuízos financeiros”, afirma.

Se no reality comportamentos inadequados podem levar à eliminação, no mundo corporativo as consequências aparecem de forma mais silenciosa, mas não menos grave. Equipes desmotivadas, burnout e perda de talentos são apenas alguns dos sinais de que algo não vai bem.

No fim das contas, o que o BBB escancara é uma verdade incômoda: esses perfis não estão só na televisão. Eles estão, neste momento, dentro de muitas empresas.

(Crédito: Divulgação)

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