Em um mercado de trabalho cada vez mais competitivo, instável e marcado por alta rotatividade, contratar bem deixou de ser apenas uma vantagem estratégica e passou a ser uma questão de sobrevivência para as empresas. Encontrar profissionais qualificados e, principalmente, mantê-los engajados tornou-se um dos maiores desafios das organizações brasileiras.
Para Midian Valões, palestrante, administradora e empresária do setor da construção civil, esse cenário não é fruto do acaso. Ele reflete, sobretudo, a ausência de método na gestão de pessoas.
Aos 45 anos, Midian construiu uma trajetória sólida atuando diretamente na estruturação de equipes e no desenvolvimento de lideranças. Sua experiência prática é aliada a estudos aprofundados em cultura organizacional, liderança, inteligência emocional e análise comportamental DISC. Segundo ela, um dos erros mais comuns das empresas está em contratar apenas pela competência técnica, ignorando o alinhamento comportamental e cultural do profissional com o negócio.
“Hoje, não basta alguém ser bom no que faz. É preciso que essa pessoa esteja alinhada à cultura da empresa. Sem isso, o desgaste é inevitável, tanto para o colaborador quanto para a organização”, afirma.
O peso da cultura nas decisões de contratação
Midian defende que o chamado fit cultural deixou de ser um conceito abstrato e passou a ocupar um papel central na sustentabilidade dos negócios. Em sua atuação como mentora de líderes e empresários, ela orienta empresas a estruturarem processos seletivos mais estratégicos, baseados em entrevistas por competência combinadas à análise do perfil comportamental DISC.
Essa metodologia permite ir além do currículo. Ela revela padrões de comportamento, formas de comunicação, estilos de tomada de decisão e níveis de adaptabilidade. “Pessoas certas nos lugares certos constroem um clima organizacional saudável, impactam diretamente a experiência do cliente e sustentam resultados consistentes ao longo do tempo”, explica.
Análise comportamental como ferramenta estratégica
Para Midian, a análise comportamental não deve ser usada apenas no momento da contratação. Ela é uma ferramenta estratégica que pode e deve orientar promoções, movimentações internas, gestão de conflitos e o desenvolvimento de lideranças.
Ao compreender o modelo mental dos profissionais, líderes passam a se comunicar de forma mais clara, reduzem ruídos internos e potencializam talentos que, muitas vezes, estavam mal posicionados dentro da organização.
No campo comercial, os resultados também são expressivos. Entender os diferentes perfis comportamentais de vendedores e clientes permite ajustar abordagens, melhorar negociações e aumentar taxas de conversão. “Venda é comunicação. Quando o profissional entende o comportamento do outro, ele vende com mais consciência e menos desgaste”, pontua.
Do ambiente corporativo à vida prática
A aplicação da análise comportamental não se limita ao mundo corporativo. Midian também utiliza esse conhecimento em processos de orientação profissional e acompanhamento de pessoas em busca de mudanças de hábitos, como pacientes em reeducação alimentar.
O foco está em ampliar a consciência sobre padrões de comportamento que influenciam decisões diárias. “Quando a pessoa entende por que age de determinada forma, ela passa a fazer escolhas mais alinhadas com seus objetivos. Isso vale tanto para a carreira quanto para a vida pessoal”, observa.
Lideranças mais humanas para negócios mais fortes
Criadora de mentorias voltadas para líderes e empresários, Midian Valões tem como propósito formar lideranças mais humanas, estratégicas e emocionalmente equilibradas. Para ela, empresas que investem no desenvolvimento comportamental de seus líderes constroem culturas mais saudáveis, equipes mais engajadas e resultados financeiros mais sólidos.
Em um cenário onde o engajamento diminui e a rotatividade cresce, sua visão é direta e objetiva: metodologia deixou de ser um luxo da gestão moderna e se tornou uma necessidade básica para quem deseja crescer de forma sustentável.