Em um cenário global marcado por transformações económicas, sociais e culturais, trajetórias que combinam formação académica internacional, experiência profissional em diferentes mercados e compromisso com impacto social têm ganhado destaque. Entre esses percursos está o de Ângela Maria de Carvalho Feijó da Silva Lemos, advogada inscrita na Ordem dos Advogados de Angola desde 2016 e na Ordem dos Advogados de Portugal desde 2021, cuja atuação se desenvolve na intersecção entre o direito, o empreendedorismo e a promoção de liderança feminina.

Licenciada em Direito pela Universidade Católica Portuguesa, Ângela complementou a sua formação com um percurso académico internacional que inclui um Pre-LLM na Washington University in St. Louis, nos Estados Unidos, e um mestrado em Petróleo e Gás, concluído com distinção, na University of Aberdeen. Ao longo dos anos, participou ainda em programas avançados em instituições como a Universidade de Colónia, a Católica Lisbon Business and Economics e o Cambridge Institute for Family Enterprise, ligado à Harvard Business School, reforçando uma formação orientada para negociação, gestão, inovação e governança empresarial.
A experiência profissional desenvolveu-se em contextos exigentes e altamente especializados. Entre 2019 e 2023, atuou em Portugal como consultora na área de fusões e aquisições e como advogada associada em projetos ligados aos sectores de petróleo e gás, diamantes e transporte marítimo na sociedade Vieira de Almeida & Associados. Antes disso, desempenhou funções de Legal Manager na Grandes Moagens de Angola e integrou a assessoria jurídica da Sonangol, onde exerceu também funções de coordenação e apoio à comissão executiva.
Apesar de uma carreira consolidada no sector jurídico, Ângela define o próprio percurso como uma construção contínua de propósito. Segundo a advogada, a sua atuação nunca esteve ligada apenas a objetivos individuais, mas à convicção de que liderança implica responsabilidade e capacidade de abrir caminhos para outros.

Primogénita tanto do lado paterno como materno da família, afirma ter aprendido desde cedo que ocupar o primeiro lugar muitas vezes significa assumir compromissos maiores. Essa experiência moldou a sua visão de liderança, baseada não apenas em competência técnica, mas em visão, coragem e consciência do impacto das próprias escolhas.
Nos últimos anos, o seu trabalho passou a integrar também o empreendedorismo e o desenvolvimento de iniciativas com impacto social. Entre os projetos em que participa está o Game Over Escape Room, em Angola, concebido como uma experiência que estimula pensamento estratégico, colaboração e criatividade — competências que, na sua perspetiva, são igualmente essenciais para a formação de líderes.
Outra vertente central do seu percurso é o trabalho dedicado ao empoderamento feminino. Foi com esse propósito que fundou a Associação Lumwenu, iniciativa voltada para a capacitação de jovens mulheres angolanas. O nome, que significa “espelho” em kimbundu, simboliza a ideia de que muitas mulheres precisam, antes de tudo, reconhecer o próprio potencial para poder transformá-lo em ação.
A associação promove formação, mentoria e desenvolvimento de competências, com o objetivo de ampliar oportunidades e incentivar a participação feminina em espaços de decisão. Para Ângela, quando uma mulher se reconhece como capaz, o impacto ultrapassa o âmbito individual e atinge toda a comunidade.

Além da atuação institucional, participa também de espaços de diálogo e partilha de conhecimento, como o Natula Connect, iniciativa dedicada ao debate sobre empreendedorismo, inovação e desenvolvimento económico em Angola. A advogada defende que redes de colaboração e troca de experiências são fundamentais para fortalecer novos modelos de liderança.
Ao refletir sobre o cenário angolano, destaca o potencial humano do país e o crescimento da presença feminina no sector empresarial. Para ela, o espírito empreendedor pode ser observado tanto em grandes projetos quanto em atividades informais, citando como exemplo as zungueiras — mulheres que percorrem as ruas vendendo produtos e que, na sua visão, representam uma das expressões mais genuínas de resiliência, organização e iniciativa.

Apesar dos avanços, reconhece que ainda existem obstáculos estruturais, como o chamado “tecto de vidro”, que limita o acesso de muitas mulheres a posições de liderança. Ainda assim, acredita que o momento atual é de transformação, em que cada conquista individual contribui para ampliar o espaço coletivo.
A sua visão de futuro passa pela construção de um ecossistema empresarial mais inclusivo, inovador e preparado para os desafios globais. Para Ângela Maria Feijó, o verdadeiro legado profissional não está apenas nos cargos ocupados ou nos projetos realizados, mas na capacidade de criar oportunidades para que outras pessoas também possam liderar, empreender e transformar a realidade em que vivem.