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Indústria do chocolate adota tecnologia para reduzir custos e riscos com nova legislação

ChocoScope, apresentado pela Pensalab, leva o controle de qualidade do laboratório para a linha de produção e ajuda fabricantes a lidar com alta do cacau e regras mais rígidas

A indústria brasileira do chocolate vive um momento de forte pressão estrutural. Após dois anos de volatilidade, o preço do cacau segue em patamar historicamente elevado, enquanto uma nova legislação avança no país para redefinir os percentuais mínimos de sólidos de cacau, ampliando as exigências de padronização e transparência na rotulagem dos produtos. Nesse processo de readequação, tecnologias capazes de reduzir desperdícios, aumentar previsibilidade e garantir conformidade regulatória deixam de ser diferenciais e passam a ser estratégicas. É o caso do ChocoScope, representado no Brasil pela Pensalab, que está em fase de implementação pela indústria nacional. A solução permite o controle contínuo e em tempo real das características do chocolate diretamente na linha de produção, sem necessidade de interromper o processo ou aguardar análises laboratoriais.

Em experiências observadas pelas indústrias que utilizam essa tecnologia em mercados maduros da Europa e dos Estados Unidos, de acordo com a Pensalab, o controle contínuo pode reduzir perdas de manteiga de cacau e retrabalho, gerando uma economia de custos que varia entre 5% e 20%, dependendo do perfil da planta e da variabilidade do processo produtivo.

Paulo Costa, especialista de Produtos da Pensalab, explica que o ChocoScope, desenvolvido pela empresa alemã SOPAT, utiliza tecnologia foto-óptica endoscópica para analisar milhares de partículas por minuto, monitorando parâmetros críticos como tamanho, forma e distribuição das partículas durante etapas como refino e conchagem.
Segundo Costa, o modelo tradicional de controle de qualidade se tornou financeiramente arriscado em um cenário de matéria-prima cara e regras mais rigorosas. “Historicamente, o controle do chocolate dependia de coletas manuais e análises em laboratório, com decisões tomadas horas depois. Com o cacau representando uma fatia cada vez maior do custo, esse atraso passou a significar desperdício direto de manteiga de cacau, hoje um dos insumos mais caros da cadeia”, explica.

Na prática, pequenas variações no tamanho das partículas ou no teor de gordura podem gerar retrabalho ou até o descarte de lotes inteiros. Com o monitoramento em linha, esses desvios são identificados no momento em que surgem, permitindo ajustes imediatos no processo. “O operador deixa de reagir quando o lote já está comprometido e passa a prevenir desvios em tempo real. Isso muda completamente a lógica da operação”, afirma Costa.

Sustentabilidade na prática

Além do impacto econômico, o ganho ambiental surge como consequência direta. A redução de sobremoagem evita o consumo excessivo de energia e limita a necessidade de adicionar manteiga de cacau para corrigir textura, contribuindo para menor descarte e melhor aproveitamento da matéria-prima. “Não se trata de discurso verde, mas de sustentabilidade aplicada ao chão de fábrica, orientada por dados e resultados mensuráveis”, reforça o especialista da Pensalab.

A nova legislação brasileira, que redefine os percentuais mínimos de cacau e endurece as regras de rotulagem, adiciona ainda uma camada de risco ao setor. Produtos fora de especificação podem, inclusive, deixar de ser classificados como chocolate, afetando portfólio, posicionamento e precificação das marcas. “Nesse novo ambiente regulatório, tecnologias como o ChocoScope deixam de ser apenas ferramentas de qualidade e passam a atuar como aliadas do compliance, garantindo padronização contínua e rastreabilidade do processo produtivo”, destaca Costa.

Para ele, a migração do controle de qualidade do laboratório para a linha de produção sinaliza um novo padrão para a indústria do chocolate no Brasil: mais dados, decisões mais rápidas e menos desperdício, em um mercado cada vez mais regulado, competitivo e pressionado por custos.

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